quinta-feira, novembro 14

regresso sempre a este:

"Paga-me um café e conto-te
a minha vida"

O Inverno avança
nessa tarde em que te ouvia
assaltado por dores
o céu quebrava-se aos disparos
de uma criança muito assustada
que corria
o vento batia-lhe no rosto com violência
a infância inteira
disso me lembro

Outra noite cortaste o sono da casa
com frio e medo
apagavas cigarros nas palmas das mãos
se os que te viam choravam
tu não, tu nunca choraste
por amores que se perdem

Os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
e temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois

"Pago-te um café se me contares
o teu amor"

0 quereres:

Enviar um comentário