quinta-feira, dezembro 15


domingo, dezembro 11

lullaby #13

já passaram onze dias, mas:

não consigo ficar indiferente.


francamente, nunca pensei que isto voltasse a ser tão actual. os grandes artistas têm essa capacidade de ler o presente dando-lhe um sentido prospectivo. o grande ditador veio-me à cabeça depois de mais uma cimeira da desgraçada europa onde mandam lunáticos submissos aos caprichos dos mercados. nas palavras de chaplin substitua-se soldiers por citizens e fica tudo dito.

Jorge Campos

quarta-feira, novembro 30

é tão fácil reparar na biologia das pessoas quando nos falam da nossa posição na vida.
vi-te. sentada naquela pedra pendente sobre o rio. também tu pendias, cabelos ao vento. terás cortado o cabelo? está tão liso, cabelos ao vento. quase jurei ter-lhes sentido o cheiro. descobri hoje ser primavera e descobri-lhe ser o teu cheiro. cabelos ao vento, tu não te maravilhas pela natureza. tu envolves-te do mundo e fazes dele parte. fechei os olhos e quase jurei ter-lhes sentido, cabelos ao vento. a tua pele reluzia, após meses de lugares recônditos. estava mais suave, quase jurei tê-la sentido -- cabelos ao vento. arrepiei-me.

- está corrente de ar, podes fechar a janela?
um dia, alguém disse que o teu sorriso era bonito. eu olhei para a tua boca e nada mais vi que não dentes. hoje olhei-os e dancei com eles. longos, de alvura invejável, com duas covas prolongadas que atravessam a todo o comprimento. escondi-me neles e inspirei fundo o seu aroma a menta. depois abriste a boca, vi outra a aproximar-se e fui engolida. aprendi agora que esses dentes serão a origem e o fim das nossas inquietações.

consumar o amor em gestos

quando tu estás aborrecida os teus lábios ficam mais proeminentes e o teu nariz mais pontiagudo! é ele que me impede de tos beijar.
quanto tu estás aborrecido inclinas a cabeça e a testa prolonga-se tanto que ofusca a minha vontade de te beijar.

lullaby #12


como foste tu guardar-te durante três décadas?

life is short but love is old


como o amor

um acento tónico, não gráfico.

terça-feira, novembro 29

in absentia

título como instruções de processamento

sábado, novembro 12

a minha pessoa diz:

Um terreno onde todos nos saibamos mover, por mais movediço que seja. A felicidade, senhores.

e solipsista ou não, é caminho a nossos pés.

entropia

tudo no universo tende para o caos, a menos que seja posta energia no sistema.

quinta-feira, novembro 10

here's my new idea for time:

segunda-feira, novembro 7

lullaby #11


é que com tanta lã, eu nem sei.

domingo, novembro 6

"vão jantar ao mac donald's?"

o que é que os maus da fita fazem quando saem de cena?















sexta-feira, outubro 28

sadness is a blessing, they say







"I need more than a caress"




"how did he die? -- I forget."










terça-feira, outubro 25



"tudo aquilo que eu vivi nas sete voltas ao mundo"

não é por acaso que escrevo a roxo

de taça incandescente nos braços caminha sobre a folha de arroz sem que marcas deixes. estava-se a pedir que no máximo do sofrimento se conseguisse ser leve, se perdesse o corpo. estar no limite da ligação à terra.

inacção

ou andar de canadianas.

o que digo é simples:

"onde estou? aqui."
aqui é um deítico, nada quer dizer. posso estar aí e estar "aqui", mas aí deixava de ser "aí" para que aqui fosse.

to here knows when

segunda-feira, outubro 24

Deface |diˈfās|
verb [ trans. ]
spoil the surface or appearance of (something), e.g., by drawing or writing on it : he defaced library books.

sábado, outubro 8

I'm just a soul whose intentions are good, oh Lord please don't let me be misunderstood. 

quinta-feira, outubro 6

uma e outra vez

um lugar de silêncio, para que tudo cante na tua ausência.

quarta-feira, outubro 5

If only dads were forever.

quarta-feira, setembro 21

"while we ourselves will not last for very long"

terça-feira, setembro 20

"o coveiro que o diga"












a última dá cada engasgo, não é para admirar.

domingo, setembro 11

ENDOMINGUEMOS

quarta-feira, setembro 7

vou ver o quinhentos dias de verão para me relembrar do binómio inelutável que é a expectativa e a realidade. mas se me souberes recomendar um filme que não tenha um final feliz de mal servir e vá ao encontro do mesmo vem dizer-mo ao ouvido que convido-te a juntares-te a mim em noite de maldizeres.
estás a tentar curar ao invés de superar.

terça-feira, agosto 2

oh, the unspeakable things

domingo, julho 31

de um lado mostram-me que a vida não é uma máquina em que se insere virtude e somos recompensados com felicidade. de outro é a possibilidade de nos sentarmos na paragem de autocarro que foi desactivada na certeza de que ele vem.

terça-feira, julho 19

"mas sei que sou feito de saudade"

entre as tuas barbas de alvura

O nome é para nós como uma luz
com dureza na testa colocada.
Então se dobrou meu rosto puro
perante este juízo maduro
e viu-te (e desde então isso é coisa falada)
grande peso crepuscular
em mim e no mundo a assentar.


Do tempo me dobraste lentamente
em que ascendia hesitantemente;
curvei-me depois de alguma oposição
agora dura tua escuridão
e a tua vitória suavemente.


Agora sou teu e não sabes quem sou
pois teus amplos sentidos podem ver
apenas que o escuro me transformou.
Seguras-me com estranha ternura
e escutas minhas mãos no seu mover
entre as tuas barbas de alvura.

Rainer Maria Rilke, O Livro de Horas (p. 117)

segunda-feira, julho 18

os dias passam tão devagar, os dias passam tão devagar. tu foste embora e não vais voltar.

dear Claire,

também tenho um grande buraco na minha meia.




a vida em plano geral

despida e desprovida do objecto de desejo.