segunda-feira, novembro 21

reformular lyrics:

a vida passa tão devagar, a vida passa tão devagar
tu foste embora e não vais voltar

na alegria e na tristeza, dizem eles

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banancides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.

A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso

tortura da espera

"sentir como perda irreparável o acabar de cada dia. provavelmente é isto a velhice."

e um amor desencontrado. que a cada dia que passa – longe – mais ininteligível aos teus olhos. a espera por ti nunca será. já a tomei como a minha sina.

domingo, novembro 20

rise with me forever

I'm waiting

I need you to be the one.

your beloved name, time and again, for forever

it's just no good anymore since you went away, now I spend my time just making rhymes of yesterday

one is the saddest experience

I have crowned you as muse

besides your love I have no ocean.

em repetição ininterrupta:

your beloved name

?

olho as folhas que restam nas árvores lá fora. são escassas. serão uma metáfora do tempo que tenho? serão uma metáfora bem visível do tempo que me resta? elas, as folhas, caem e eu também. faltam poucas nas árvores, a agarrar-se com toda a força. resta-me agora saber se sou uma árvore que morreu ou uma árvore que tem a oportunidade de continuar a crescer, florir, dar fruto num ciclo perpétuo. afinal há sequóias que vivem por milénios. sabe deus o quanto desejo essa vida toda que existe em mim. esse amor todo que existe em mim, sem fim, maior do que a vida que me é concedida neste mundo. uma. uma só vida. e eu a gastá-la aqui, sentada na cozinha a olhar as árvores e sentir por elas pena, quando sei que elas terão outra primavera. e eu não sei se terei essa primavera ou se apenas me resta o pior dos invernos mais frios, tempestosos e impiedosos sem fim.

lullaby #93, de novo


Let's turn it into something we can change

eternidade não nos existe,


e por causa disto eu aceito uma só vida.

força

lullaby #92


porque és real.

lullaby #91

sábado, novembro 19

lullaby #90

that's that

that's that

pois eu ansiava por uma eternidade ao teu lado, mas ter-me-ia contentado com uma vida só.

sexta-feira, novembro 18

lullaby #89

lullaby #88

lullaby #87

lullaby #86

quinta-feira, novembro 17

lullaby #85


segunda-feira, novembro 14

lullaby #84


sexta-feira, novembro 4

lullaby #83

segunda-feira, outubro 31

lullaby #82

domingo, outubro 30

lullaby #81


please.

quarta-feira, outubro 26

lullaby #80

terça-feira, outubro 18

lullaby #79

quarta-feira, setembro 21

lullaby #78

sexta-feira, agosto 26

dos assassinos em série

A vida faz-se de plantações de cuja fortuna desconheço. Põem-me sementes nas mãos e encarrego-me de as enterrar e cuidar delas com afecto. Mas sabem as minhas quatro paredes que todas essas plantas, nas minhas mãos, vão ao encontro de um infortúnio certo. Não entendo a flora e talvez isso se deva às faltas que cometo. Não sei quais as medidas certas. Ou as aprendo ou aceito a inevitabilidade do meu papel de carrasco.

lullaby #77

sexta-feira, julho 22

lullaby #76

segunda-feira, maio 30

lullaby #75

quinta-feira, maio 26

lullaby #74

sexta-feira, maio 6

lullaby #73

domingo, maio 1

lullaby #72

lullaby #71

lullaby #70

quarta-feira, abril 6

growing old




sábado, março 26

lullaby #69


quinta-feira, março 24

lullaby #68

terça-feira, março 22

the hunt















changing direction



on roadtrips





mental landscapes











sexta-feira, março 18

lullaby #67

My Old Sweetheart

She remembers every moment of Ray’s leaving her, and when she tells the story you know that she has lain awake night after night, for years, recounting it to herself, because there was no Ray to talk to. (All spurned lovers want to describe their hurt to the people who left them. That’s the only audience that matters.)

terça-feira, fevereiro 23

regarding the concept of time and looking after:

respectively, you're an hour and a million mind-years behind.