sexta-feira, setembro 25
unphotographed #2 10:31
Sentia uma neura injustificada. Entrei no pátio do meu prédio e logo vi um papel no chão. Peguei nele. Era um coração, mal cortado, desajeitadamente pintado a lápis de cor. Guardei-o, qual laço branco, na minha carteira, como lembrete de sacudir a neura parva que vá sentindo.
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unphotographed #1 10:24
Tinha pressa de apanhar o metro. Aqui tem estado frio, vesti o único casaco que não está empacotado nas caixas à espera de serem abertas na minha sala e saí num ápice. Caía uma mistura chuva-molha-tolos e umas pingas mais carregadas e então abri o guarda-chuva. O único guarda-chuva aberto em toda a Invalidenstraße. Parei na passadeira à espera que o vermelho virasse verde. Ao longe uma menina correu na minha direcção e parou ao meu lado. Estendeu os braços à sua frente e via as pingas a espalharem-se nas suas mãos. Que ternura. Voltou-se para mim, sorridente, a mostrar-me as suas mãos. Sorri de volta e, como ainda não domino a sua língua, com um gesto ofereci-lhe espaço para se abrigar debaixo do guarda-chuva. Acenou um "não" agradecido. E assim ficámos as duas voltadas para o semáforo ainda à espera da autorização para atravessar a estrada.
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