terça-feira, julho 19

entre as tuas barbas de alvura

O nome é para nós como uma luz
com dureza na testa colocada.
Então se dobrou meu rosto puro
perante este juízo maduro
e viu-te (e desde então isso é coisa falada)
grande peso crepuscular
em mim e no mundo a assentar.


Do tempo me dobraste lentamente
em que ascendia hesitantemente;
curvei-me depois de alguma oposição
agora dura tua escuridão
e a tua vitória suavemente.


Agora sou teu e não sabes quem sou
pois teus amplos sentidos podem ver
apenas que o escuro me transformou.
Seguras-me com estranha ternura
e escutas minhas mãos no seu mover
entre as tuas barbas de alvura.

Rainer Maria Rilke, O Livro de Horas (p. 117)

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